"O gato bebe leite. O rato come queijo e eu sou um palhaço. E vc, o que é?" Esse é o questionamento feito pelo palhaço Puro Sangue (Paulo José) ao palhaço Pangaré (Selton Mello) que norteia toda a trama desse filme leve e sensível. O palhaço é um filme contador de histórias. Narra de maneira afetuosa e teatral o dia-a-dia da trupe e sua vida artística, com pouco retorno financeiro e dificuldades bastante peculiares como a falta de dinheiro para tingir o cabelo e para a compra de um novo sutiã para uma das artistas.
Benjamin, vivenciado por Selton Mello é Pangaré, a atração principal do espetáculo circense, que se organiza de forma sistemática, tendo sempre o cuidado de informar-se sobre o nome do prefeito da cidade, do prostíbulo e também de alguma figura marcante que possa ser citada. Pangaré faz certo sucesso ao lado de seu pai, o palhaço Puro Sangue, encenado por Paulo José,na vida circense desde cedo.Entre as idas e vindas dessa trupe, Benjamin vivencia um conflito interior, que se baseia em sua identidade profissional e se estende a sua identidade como ser humano. Questionamentos como: quem sou eu? O que busco? Qual o meu dom? Permeiam esse personagem melancólico e profundo em sua essência, na ânsia por respostas.
A riqueza do filme não está só na história, mas principalmente na montagem. Na trilha sonora, belíssima e oportuna. No toque peculiar das câmeras, focando e desfocando os personagens, de acordo com o destaque das cenas. A luz e a fotografia, o ângulo de captação dos atores. O tempo das cenas, os silêncios, a cadência das falas. A beleza da atuação do elenco.Tudo isso é de uma riqueza singular que delicadamente se impõe ao longo do enredo.
Dois personagens, na verdade dois atores, merecem destaque. Moacir Franco, no papel do delegado Justo, que demorei a reconhecer com os óculos, conduz a cena com uma leveza espetacular, num monólogo pífio sobre problemas de pele felinos, o faz de forma graciosa e divertida. E Larissa Manoela, como Guilhermina, pequena estrela do circo, filha de dois artistas da trupe. Essa garotinha, de apenas 10 anos, dá o tom do filme, conduz as cenas com seu olhar e gestos verdadeiramente expressivos.
Li em um artigo que Selton Mello gostaria que o filme fosse solar, bom de se ver.O Palhaço salvou minha tarde, me fez rir, me emocionou, me fez buscar respostas e gargalhadas, dentro do meu coração.

SEU COMENTÁRIO É REPLETO DE VERDADE. O FILME NOS REMETE AOS QUESTINAMENTOS, JUNTO COM O PERSONAGEM,DE QUAL É REALMENTE NOSSA MISSÃO E COMO O FILME, MTAS VEZES ESTAMOS DE FRENTE PARA ELA E NÃO A ENXERGAMOS, PRECISAMOS IR TÃO LONGE, PARA VOLTAR E RECONHECER QUE ÉRAMOS FELIZES, MESMO SEM O "VENTILADOR". PARABÉNS PELO SEU EXCELENTE COMENTÁRIO.
ResponderExcluirMÃERÔ