A matéria de capa da Super Interessante desse mês está simplesmente sensacional. Reservei um espaço longo para abordar esse assunto porque considerei, literalmente, super interessante. Aborda o lado bom de nossos traços de personalidade aparentemente fora dos padrões de normalidade. Transcrevi e comentei algumas emoções, mas vale muito a pena ler a matéria na íntegra.
Depressão.
Do ponto de vista clínico não há benefícios nessa doença. Ela causa sofrimento, idéias fixas e os doentes isolam-se socialmente. O médico Randolph Nesse, da Universidade de Michigan, afirma que a depressão tem a mesma função de uma dor: garantir nossa sobrevivência diante de um risco. A euforia e a depressão serviriam para regular nossas ações na busca por um objetivo. O psicólogo americano Eric Klinger defende a idéia de que o progresso na busca por objetivos melhora o estado de ânimo de uma pessoa e faz com que assuma mais riscos. Quando esses esforços falham, há um recuo e a pessoa começa a se preservar mais. Essa depressão leve seria o pano de fundo para a introspecção e reflexão na tomada de atitudes, considerando até mesmo a mudança de planos para objetivos inalcançáveis.
Ou seja: depressivos abrem mão mais facilmente de planos inatingíveis. Depressivos dão menos murro em ponta de faca. Porque tendem a se preservar. A depressão é uma defesa do organismo contra pontenciais frustrações.
Segundo Randolph Nesse, ansiedade é medo de algo que não é necessariamente real. É uma emoção. É um padrão de respostas em situações que podem provocar riscos ou oportunidades. A ansiedade nos faz fugir ou lutar quando nos sentimos ameaçados. O fígado libera glicose, a freqüência cardíaca aumenta menos sangue circula pela pele e mais vai para os músculos. E assim o corpo fica preparado para agir as mais variadas situações. Seja a animais, altura, escuridão ou até mesmo a um emprego que detestamos ou um relacionamento ruim.
Ou seja: A ansiedade é a luz de emergência das emoções. Soa como um alarme para que vc mude de vida, quando necessário.
Timidez
Segundo estudos do psicólogo Jerome Kagan, os tímidos são introspectivos e mais vulneráveis a depressão e a ansiedade. Porém podem ser empáticos, cuidadosos e cooperativos, desde que se sintam em sua zona de conforto. Uma pessoa introvertida tende a ser uma excelente profissional pois concentra a mente em uma só atividade ao invés de gastar tempo e energia em assuntos que não estejam ligados ao trabalho. A solidão também permite focar nas próprias falhas e treinar até chegar a perfeição. Esse tipo de prática é bastante comum em atletas e grandes músicos.
Déficit de atenção e hiperatividade
Distúrbio muito estudado e comentado nos últimos anos, quem sofre de déficit de atenção tem dificuldade de concentração, esquece datas e compromissos importantes, tarefas são realizadas pela metade. Esse padrão de comportamento pode, muitas vezes, custar o emprego ou o relacionamento. Em contrapartida, quem tem TDAH é ótimo em brainstorms, pois não se sente inibido em dar idéias aparentemente estranhas. São criativos, destemidos e ágeis. Personalidades importantes como Thomas Edison e Che Guevara foram diagnosticados com TDAH.
Ou seja: Quem tem a cabeça na lua pode enxergar soluções que as pessoas com os pés no chão não vêem.
É incrível encontrar correntes de pensamentos como essas. Vivemos tempos de autoconhecimento, de práticas de yoga, buscas espirituais. Cada vez mas identificamos traços de nossa personalidade, nossas virtudes mas também nossos vícios e defeitos. Linhas de estudos como essa fazem nossos defeitos parecerem naturais e, por que não, parte do processo de ascensão moral.
Conhecendo a face boa de um defeito podemos usá-lo a nosso favor, no desenvolvimento do nosso potencial. Assim como esses padrões de comportamentos, existem muitos outros onde também podemos observar traços do bem. A inveja nos impulsiona ao trabalho e a um esforço maior na busca de um carro ou uma promoção como a de nosso colega. O orgulho nos ensina a nos amar em primeiro lugar para depois estender esse amor ao próximo. Enfim, em todas as coisas e em todas as emoções há a energia do bem. Por meio dela crescemos, evoluímos e desenvolvemos o nosso potencial com o que temos de melhor e de pior.
Recomendo.....
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O lado bom dos seus problemas.
Super Interessante de março/2012.



Mari, que avaliação boa q vc fez! Vou comprar essa revista, vc me deixou com vontade de ler tudinho o a foi publicado! Parabéns pela qualidade e seriedade do seu blog! Muito bom mmo!!! Bjs Juju
ResponderExcluirAdorei sua análise, ela nos convida a refletir como nós, seres humanos, possuímos o potencial para desenvolver e evoluir constantemente, até mesmo qdo parece q não possuímos as ferramenta para fazê-lo,q somos limitados, vem a ciência e diz q tudo q possuimos é benéfico e necessário para o nosso crescimento.Não há limites, a não ser aqueles colocados por nós mesmos. Pensarei mais sobre isso!
ResponderExcluirbjos! Mamyrô
A idéia desse post era realmente propor a reflexão que tive quando li a matéria. Na verdade, ela reflete a grandiosidade de Deus, que nos proporciona o crescimento até mesmo por meio de nossa personalidade imperfeita. Que bom que vcs gostaram e que acabei, até mesmo, incentivando a compra da revista!!! Beijos.
ResponderExcluirEu vi a capa, mas não tinha lido a matéria. Adorei a sua resenha.
ResponderExcluirSabe que eu sempre tive DDA com hiperatividade, né? Diagnosticado quando eu tinha ainda, sei lá, 7 ou 9 anos. No meu caso, o meu déficit de atenção tem haver com memória, aliada a profunda distração e dificuldade de me concentrar em uma única coisa apenas. Pela hiperatividade, sou do tipo que faz 300 coisas ao mesmo tempo, não pq não sossego o facho (tá, tb por isso, hehehe); mas sim para conseguir fazer até o fim pelo menos uma... Doido, né?
Eu nunca pensei que poderia encontrar o revés dessa minha mente aquarianamente louca e frenética. Mas descobrir que, para lidar com internet e informática ligada, muitas abas abertas ao mesmo tempo e toda essa esquizofrenia de informação, o meu DDA me ajuda a me sentir em casa. Ficar sentada, com apenas uma pauta, numa redação, escrevendo e aguentando editor chato, definitivamente, não é comigo. E sim, já perdi muito emprego e sofri muito por isso. hehehehehe
Acho que somos o que devemos ser nessa vida. Com todas habilidades e déficits, acho que no fundo, é como vir homem ou vir mulher. Encarnamos do exato jeito que devemos ser para viver tudo o que nos é proposto nessa vida. Nosso trabalho de evolução e aprimoramento moral é lidar com isso, afinal. Não é??
Interessantissimo esse post... Fiquei aqui refletindo sobre como podemos absorver de qualquer situação ou transtornos uma forma de tirar proveito das situações.. O mais interessante é não ficar preso ao problema isolando-se do mundo e sim entender as oportunidades da situação e evoluir cada vez mais...Muito obrigado pelo post Mariza. Bjs
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