segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Colóquio Internacional sobre o amor


Em um sábado a noite fui a um espaço bem aconchegante prestigiar a peça de uma grande amiga. Tudo o que eu sabia sobre a peça era que se tratava sobre o amor. Imaginei muitas histórias, cenas, citações, mas qual não foi minha surpresa quando, logo no início, na fila da bilheteria dois simpáticos atores me abordaram perguntando seu eu achava ser possível amar outra pessoa sem antes me amar. Respondi que não. Amar o outro para mim é uma extensão do amor que temos por nós mesmos. Comprei o ingresso e entrei. Curiosa, confesso.
A princípio, percebi que se tratava mesmo de um simpósio, com direito a intervalo e café preto com bolachas. Mas, dentro de alguns instantes eu estaria mergulhada em diversas situações  que me levariam a me aprofundar no meu universo particular. As esquetes eram caricatas, sensíveis, ridículas, histéricas. E todas, sem exceção, extremamente profundas. O grupo apresenta muito entrosamento em cena, qualidade, verdade. Transparecem o cuidado com a arte, com o gesto, com a palavra.
Ri muito. Dos personagens, das situações ridículas interpretadas por eles. Ri de mim mesma. Vivenciei minha própria solidão, minha carência, minhas feridas. Minhas mágoas, a obscuridade da minha alma. Chorei. Me senti desconfortável. Quase pude tocar os meus sentimentos. Dancei. Participei de um baile, uma festa, um encontro. A dois. A sós. E a citação sobre o amor, aquela que imaginei de qual autor seria, na verdade era minha. Eram citações de toda a plateia. Profundas. Intensas. Legítimas. Os personagens foram meus espelhos. E minha boca falava por meio deles. Em cena estava o meu coração. A minha angústia. O meu desejo. A minha rejeição. A minha dor.
No fim da peça meus sentimentos todos se acotovelavam dentro de mim. Euforia, emoção, alegria, afeto. E profunda gratidão por aquele grupo, pela entrega em cena, pelo zelo com a plateia. Se pudesse definir o espetáculo em uma palavra ela seria: Visceral.
Finalizo com um trecho do grande poeta Oswaldo Montenegro

“Que a arte nos aponte uma resposta
 Mesmo que ela não saiba
 E que ninguém a tente complicar
 Porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer;
 Porque metade de mim é platéia
 E a outra metade é canção...
 E que a minha loucura seja perdoada 

 Porque metade de mim é amor
 E a outra metade... também.”

2 comentários:

  1. Nossa Má... Que lindo... Fiquei morrendo de vontade de ver a peça tb... Como sempre, a sensibilidade nas suas palavras é ímpar!!! Beijo grande!!!

    Michele

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  2. Mari, vc está escrevendo muito bem. Um dia, por favor, escreva um livro. Vai ser muuuito bom.Bjs Ju

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