Em um sábado a noite
fui a um espaço bem aconchegante prestigiar a peça de uma grande amiga. Tudo o
que eu sabia sobre a peça era que se tratava sobre o amor. Imaginei muitas
histórias, cenas, citações, mas qual não foi minha surpresa quando, logo no
início, na fila da bilheteria dois simpáticos atores me abordaram perguntando
seu eu achava ser possível amar outra pessoa sem antes me amar. Respondi que
não. Amar o outro para mim é uma extensão do amor que temos por nós mesmos.
Comprei o ingresso e entrei. Curiosa, confesso.
A princípio, percebi
que se tratava mesmo de um simpósio, com direito a intervalo e café preto com
bolachas. Mas, dentro de alguns instantes eu estaria mergulhada em diversas
situações que me levariam a me
aprofundar no meu universo particular. As esquetes eram caricatas, sensíveis,
ridículas, histéricas. E todas, sem exceção, extremamente profundas. O grupo
apresenta muito entrosamento em cena, qualidade, verdade. Transparecem o
cuidado com a arte, com o gesto, com a palavra.
Ri muito. Dos
personagens, das situações ridículas interpretadas por eles. Ri de mim mesma. Vivenciei
minha própria solidão, minha carência, minhas feridas. Minhas mágoas, a
obscuridade da minha alma. Chorei. Me senti desconfortável. Quase pude tocar os
meus sentimentos. Dancei. Participei de um baile, uma festa, um encontro. A dois.
A sós. E a citação sobre o amor, aquela que imaginei de qual autor seria, na
verdade era minha. Eram citações de toda a plateia. Profundas. Intensas.
Legítimas. Os personagens foram meus espelhos. E minha boca falava por meio
deles. Em cena estava o meu coração. A minha angústia. O meu desejo. A minha
rejeição. A minha dor.
No fim da peça meus
sentimentos todos se acotovelavam dentro de mim. Euforia, emoção, alegria,
afeto. E profunda gratidão por aquele grupo, pela entrega em cena, pelo zelo
com a plateia. Se pudesse definir o espetáculo em uma palavra ela seria:
Visceral.
Finalizo com um trecho do grande
poeta Oswaldo Montenegro
“Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.”
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.”
Veja mais em: http://teatrodatravessia.blogspot.com.br/
Nossa Má... Que lindo... Fiquei morrendo de vontade de ver a peça tb... Como sempre, a sensibilidade nas suas palavras é ímpar!!! Beijo grande!!!
ResponderExcluirMichele
Mari, vc está escrevendo muito bem. Um dia, por favor, escreva um livro. Vai ser muuuito bom.Bjs Ju
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